segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

ESTILOS PARENTAIS


Estilos Parentais

A educação das nossas crianças revela-se um desafio diário, são pessoas pequenas com vontades fortes, no entanto, com muito para aprender sobre o mundo que as rodeia. É neste contexto, que nos deparamos com dúvidas sobre a melhor forma de as educar, a forma como vamos exercer a nossa função parental. Existem posturas e práticas parentais que influenciam o comportamento dos nossos filhos, a isso é dado o nome de Estilo Parental, ou seja, é o conjunto diversificado de atitudes, comportamentos e interações que nós, os pais, temos para com as nossas crianças. Resumidamente, é a forma como lidamos com os nossos(as) filhos(as).

Atualmente estão reconhecidos cinco Estilos Parentais, são eles:
Autoritário - Pais que exercem Muito Controlo e dão Pouco Afeto aos filhos(as). São pais muito centrados em si próprios, exigentes, pouco tolerantes, pouco compreensivos, detentores de o todo o poder na relação parental. A disciplina é imposta de forma rigorosa, inflexível e exigem a submissão e obediência total dos filhos(as). Estes pais fazem um ataque direto à autoestima das crianças pela crítica constante aos seus comportamentos. O ambiente emocional criado é caraterizado, muitas vezes, por frieza, reduzida troca de afeto e ausência de estímulo e de encorajamento. Estas crianças são obrigadas a abster-se de opiniões, a conter os seus sentimentos e emoções, o que vai provocar uma falsa passividade e aceitação das regras por parte das mesmas. Fora da supervisão parental, estas crianças poderão revelam-se agressivas e rebeldes. Essa rebeldia e agressividade pode permanecer ao longo da sua vida ou tornarem-se adultos submissos e conformistas que não se empenham na conquista de objetivos.
Permissivo - Pais que exercem Pouco Controlo e dão Muito Afeto aos filhos(as). São as crianças que tomam conta desta relação, são elas que exercem o poder, pois os pais são excessivamente tolerantes, permissivos, não implementam regras e limites claros e consistentes e, além disso, surgem como um recurso de apoio e não como o modelo educativo que deveriam ser. Estas são crianças ao longo do seu percurso de vida, vão revelar um fraco controlo das emoções, apresentar dificuldades em seguir regras sociais e, consequentemente, de integração social. Mostrarão ser intolerantes à frustração, o “NÃO” para elas não se aplica.
Indiferente - Pais que exercem Pouco Controlo e dão Pouco Afeto aos filhos. São pais egocêntricos, pouco interessados nos filhos, pouco afetivos, pouco exigentes e pouco compreensivos. Tendem a manter os seus filhos à distância, respondendo somente às suas necessidades básicas. Não conseguem organizar-se de modo a fornecerem cuidados e apoio continuados aos seus filhos(as). Demonstram pouco envolvimento na socialização das crianças, não supervisionam comportamentos, não impõem regras, e são caraterizados pela ausência de reforço positivo e negativo nos comportamentos das suas crianças. Assim, podem surgir atrasos no desenvolvimento das crianças, quer a nível Motor quer ao nível da Linguagem, devido à fraca estimulação. Estas crianças caraterizam-se como pouco empáticas, frias nas relações com os outros, e apresentam dificuldade de autorregulação e de resolução de problemas. A ausência de contenção e de orientação deste estilo parental vai ter como consequência uma manipulação do mundo exterior por parte das crianças, pois esse é o padrão relacional a que se habituaram no seu dia-a-dia.
Superprotetor – Pais que exercem Muito Controlo e dão Muito Afeto aos filhos(as). São pais emocionalmente dependentes dos(as) filhos(as) e que evitam a “todo o custo” que estes sofram. Nesta relação, os pais impõem muitas regras e limites, recompensam excessivamente os comportamentos das crianças, justificam todos os seus erros comportamentais e duvidam da competência dos(as) filhos(as) na resolução de problemas. Estas crianças apresentam baixa tolerância à frustração, baixa autoestima e menor capacidade de resolução de problemas. Existe, também, uma maior probabilidade de serem emocionalmente dependentes de outrem, apresentam, não raras vezes, ansiedade de separação das suas figuras afetivas de referência ao longo da vida e também ansiedade face a problemas, dificuldades e mesmo situações desconhecidas na sua vida.
Democrático - Pais que exercem com equilíbrio o Controlo e o Afeto que dão aos filhos(as). São pais que assumem uma postura autoafirmativa, dialogante e assertiva com os filhos(as), onde está presente o carinho, respeito mútuos, a tolerância e onde existe a possibilidade de Pais e Filhos(as) poderem exprimir espontaneamente as suas opiniões, num diálogo norteado pela justiça e equidade. A comunicação com estas crianças é feita de forma positiva, o que as motiva para a mudança de comportamentos, a definição das regras e dos limites comportamentais são claros. Estas são crianças têm maior probabilidade de serem mais obedientes, independentes e apresentam maior autocontrolo das suas emoções. Durante o seu percurso escolar são crianças que apresentam geralmente maior capacidade de aprendizagem, maior capacidade de resolução de problemas e a nível social são as mais empáticas com os outros.
Existem dados que sugerem que uma educação num ambiente familiar com poucas tensões (pais democráticos) pode formar pessoas mais relaxadas, mais aptas a lidar com problemas (de forma otimista) e a sobreviver socialmente. Neste estilo parental, os pais procuram estabelecer expetativas razoáveis e padrões realistas. As crianças têm liberdade para decidir se vale a pena enfrentar as consequências negativas perante o desagrado dos pais ou outros resultados desagradáveis. De igual forma, é um estilo que promove as atitudes independentes e empreendedoras nas raparigas e a recetividade e sentido de colaboração nos rapazes.
É preciso ter, no entanto, em conta que o processo de educação não é linear nem igual para todos. Temos que, junto dos nossos filhos, encontrar o melhor caminho e com eles negociar a educação necessária e ajustada à realidade em que vivemos. É importante lembrar que as nossas crianças precisam que os pais, independentemente, das regras e das imposições colocadas, as amem acima de tudo!


Paula Ribeiro
Psicóloga no Gabinete de Psicologia da Junta de Freguesia de Cacia

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